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Defesa: Chefe de Estado-maior do exército pede clarificação legal

Pinto Ramalho e José Anes antes do almoço em que se discutiu o papel das Forças Armadas no futuro

O Chefe de Estado-Maior do Exército quer ver os militares nas ruas a cooperar com as forças de segurança interna, mesmo que para o efeito seja necessário proceder a alterações na lei.

‘Os meios policiais são insuficientes para dar resposta às novas formas de conflitualidade, e o Exército tem de cooperar’, disse ontem o general Pinto Ramalho num discurso durante o almoço de comemoração dos três anos da revista ‘Segurança e Defesa’, perante o olhar atento do director nacional da PSP, Oliveira Pereira.

‘Actualmente há uma fronteira difusa entre a segurança interna e externa. E há capacidades instaladas no Exército para responder a um determinado nível ou grau de ameaça. A primeira linha de resposta deve estar na PSP e na GNR, mas poderemos estar numa circunstância em que isso não chegue e então, naturalmente, o Exército poderá dar resposta, segundo o enquadramento constitucional’, afirmou Pinto Ramalho.

O problema está na Lei de Defesa Nacional, que só autoriza a intervenção a título excepcional das Forças Armadas perante ameaças estrangeiras, à excepção de missões de socorro provocadas, por exemplo, por catástrofes naturais. O general defendeu que deve existir uma ‘visão pragmática’ da questão, que só poderá ser posta em prática com ‘uma forma legislativa perfeitamente clarificada’.

O Chefe de Estado-Maior do Exército foi na altura interpelado pelo general Loureiro dos Santos, que defendeu a opinião de Pinto Ramalho. ‘Em caso de ameaças transnacionais podem surgir situações de indefinição quanto ao emprego de meios militares, pelo que é necessária uma revisão da Constituição’, disse o ex-CEME.

No mesmo discurso, Pinto Ramalho defendeu que os cidadãos com serviço militar cumprido deveriam ter prioridade no recrutamento para as forças de segurança, tal, o que seria ‘um incentivo à prestação do serviço militar’.

Fonte: Jornal Correio da Manhã on-line
03 Dezembro 2009 – 00h30
Por: João C. Rodrigues
Imagem: Sérgio Lemos

[N.W.] – Ora aqui está alguém que finalmente parece ter acordado da letargia em que este País vive em questões de segurança nacional! A tropa não serve apenas para a guerra, podendo servir de apoio aos meios institucionais de segurança, ou seja, à PSP e GNR por falta de meios e de condições destas forças. O País necessita URGENTEMENTE de segurança e o governo tem OBRIGAÇÃO de proporcionar aos seus cidadãos, SEGURANÇA coisa que deixou de existir e tem feito deste país, um sítio de faroeste americano, onde a criminalidade impera impunemente sem que ninguém tenha capacidade para resolver o problema. De conversa da treta política, estamos fartos! Mudem a Constituição, ponham a tropa na rua e para todos aqueles que acham que isto é um regresso ao 24 de Abril é porque nunca viveram no tempo do Estado Novo e são acérrimos defensores, isso sim, da anarquia e da criminalidade existentes!

Deliberação do Conselho Regulador

A ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) pretende acabar com a pornografia em acesso livre. Por esse motivo, deliberou que, no prazo máximo de dez dias, os serviços de programas centrados em conteúdos pornográficos e até agora emitidos em acesso não condicionado, livre ou com assinatura, terão de alterar as actuais condições de emissão.

A ERC pretende, assim, assegurar a protecção dos públicos mais sensíveis, tais como menores, relativamente a este tipo de conteúdos, que são susceptíveis de prejudicar o respectivo desenvolvimento, e fazer respeitar os princípios e limites legais aos conteúdos difundidos pelas entidades que prosseguem actividades de comunicação social.

A violação desta regra constitui contra-ordenação muito grave, passível não só de ser punível com coima entre os 75 mil euros e os 375 mil euros, mas também de determinar a suspensão da licença ou da autorização do serviço de programas entre 1 a 10 dias ou, em circunstâncias extremas, determinar a revogação da licença ou da autorização.

Fonte: Jornal Correio da Manhã on-line
Por: Andrea Pinto
02 Dezembro 2009 – 18h18

[N.W.] – No tempo do Estado Novo (salazarista, para quem não o viveu), a pornografia era PROIBIDA a todos os níveis, inclusivé a publicação, distribuição e venda de filmes, revistas e todo o material pornográfico. Mas existiam casas de putas legalizadas! Foi preciso o 25 de Abril’74 para podermos ver o Último Tango em Paris, filme CENSURADO e PROIBIDO em Portugal pela CENSURA salazarista e até nem posso considerar esse filme uma obra pornográfica! Hoje, pelos vistos, a divulgação das obras pornográficas começam a ser proibidas pela ERC. Realmente e com absoluta franqueza, já nada me espanta neste país de manhosos!

Riqueza

Pinto Monteiro afirma que não tem meios para fiscalizar os rendimentos dos políticos de forma eficaz

O Ministério Público não tem meios suficientes para efectuar o controlo da riqueza dos titulares de cargos políticos no início e no final do exercício de funções, como determina uma alteração legislativa aprovada em Fevereiro do ano passado para reforçar o combate à corrupção.

Saiba mais na edição em papel do jornal ‘Correio da Manhã’.

Fonte: Jornal Correio da Manhã on-line
02 Dezembro 2009 – 00h30

[N.W.] – O senhor Procurador não tem meios suficientes para “controlar” a riqueza de meia dúzia de titulares de cargos políticos, mas já existem meios para “controlarem” os milhões de cidadãos contribuintes deste País! Mas que riqueza de espírito! Deve ser por estarmos em Dezembro, altura em que o espírito fica mais amolecido pela doçura da época natalícia…!

Loures

Condutor ultrapassou dois carros parados na passadeira

Maria Isabel Lima atravessava na passadeira em frente a casa quando foi colhida por um Seat, a alta velocidade, que fugiu.

A vítima não sobreviveu. Condutor foi ontem apanhado mas já está em liberdade.

Saiba mais na edição em papel do jornal ‘Correio da Manhã’.

Fonte: Jornal Correio da Manhã on-line
02 Dezembro 2009 – 00h30

[N.W.] – O país não tem culpa de ter uma sociedade onde proliferam, macacóides à solta, já para não dizer montes de merda putrefactos. Agora, colocar em liberdade um criminoso que mata uma pessoa a atravessar numa passadeira e depois foge? Será que este juiz estava em seu perfeito juízo quando tomou esta decisão? Será que a justiça deixou de ser cega e apenas “vê” o que lhe convém ou o que lhe interessa? Ou apenas estamos a ir por caminhos em que a vida humana já nada representa, nada vale para certo tipo de magistrados e outras espécies animais tomadas por seres humanos?

A ressaca

A voz da razão

O governo mostrou sinais de apoplexia com o comportamento da oposição. Mas que fez a oposição para gerar semelhante crise? Simples: opôs-se. Para sermos exactos, aprovou 13 diplomas que, entre outras benesses, adiam o novo Código Contributivo e prometem suspender, ou até extinguir, o admirável pagamento especial por conta, uma espécie de saque fiscal antes do tempo.

Por outras palavras: se a nossa política económica se resume a um assalto contumaz ao bolso do contribuinte, a oposição fez o favor de a interromper. Um gesto caridoso que devia obrigar o governo a puxar pela cabeça e a mudar de vida. Como? Repensando as suas despesas e a forma como atrapalha ou condiciona a livre criação de riqueza entre nós.

Infelizmente, o governo optou pela lamúria. É a típica reacção do toxicodependente quando privado da sua dose.

Fonte: Jornal Correio da Manhã on-line
Por: João Pereira Coutinho, Colunista
29 Novembro 2009 – 00h30

Entrevista com Freitas do Amaral

Não precisa de muito tempo para pensar nas respostas, mesmo que ande fora do ‘circuito’ político nacional activo. Faz questão de trazer Obama e a Europa à entrevista – bem como a política externa -, mas é nas questões graves da justiça que faz ponto de honra em deixar um testemunho e soluções imediatas e claras

Como professor de Direito, alguma vez pensou viver num Estado tão torto e tortuoso como o que se vive em Portugal?

Sinceramente, nunca pensei assistir a uma degradação tão grande dos princípios fundamentais do direito e da credibilidade da justiça. Estamos a bater no fundo, mas também estou firmemente convicto de que há muitas formas de combater a corrupção, melhorar o funcionamento da justiça, revalorizar os princípios do Estado de direito. Só que a atitude responsável não é cruzar os braços mas sim pensar e elaborar um programa global de revitalização do Estado de direito e de combate à corrupção. Em seguida, começar a aplicá-lo com firmeza e sem usar a táctica habitual dos dois passos à frente e um atrás.

É o que acontece em Portugal?

Acho que sim e por isso é que a justiça está cada vez mais opaca, lenta e, sobretudo, não se compreende como, na generalidade dos países europeus e nos EUA, casos mais complicados são resolvidos em menos de um ano e cá demoram cinco, como no processo Casa Pia – uma vergonha para a justiça, como acontece com outros casos. Pergunto porque é que são lançados como bombas na comunicação social e depois nada acontece.

O que sugere para esses casos?

Ao menos que dissessem em que estado está a investigação, por que razão não andam mais depressa e sem revelar o segredo de justiça, o que é perfeitamente possível. Numa sociedade tão mediatizada como é a actual é possível, todos os anos, dar conta da investigação dos casos em curso e informar em quais está pronta. O que acontece é que a investigação sofreu tal demora – enquanto se aguarda por isto, aquilo ou aqueloutro – e se ultrapassam os prazos. Desse modo, sem que os superiores possam marcar prazos, é impossível gerir correctamente serviços públicos com a importância dos tribunais, do Ministério Público e da Polícia Judiciária! Este adiamento indefinido e quase indefinível de prazos, as prorrogações sem se saber porquê e os arquivamentos sem se conhecerem fundamentos geram uma enorme desconfiança.

Que vai contra o próprio direito?

Vai contra o direito, contra os princípios do Estado de direito, contra a Constituição – que diz que a justiça deve ser célere – e contra a Convenção Europeia dos Direitos Humanos – por essa lentidão Portugal já foi condenado várias vezes no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos -, mas parece que ninguém faz nada. Ou, por outro lado, há uns quantos juristas que se convencem de que isso se resolve com alterações ao Código Penal e ao Código de Processo Penal, o que é um erro. O problema não está nas leis, mas na forma de as aplicar e na falta de uma grelha de tempos úteis que não deva ser ultrapassada.

Resolvia-se o estado da justiça?

A justiça, no sentido amplo, não está ainda adaptada para dialogar com a comunicação social e entrar nos pormenores de casos concretos. A verdade é que ultimamente vimos os dois órgãos mais elevados do sistema de justiça do Estado democrático português – por um lado, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e, por inerência, presidente do Conselho Superior da Magistratura e, por outro, o procurador-geral da República – num vaivém de meias palavras mas sem uma explicação clara e franca que o País perceba.

Há até um piscar de olhos de ambos à “sua” comunicação social?

Exactamente. Quer o presidente do Supremo, quer o procurador-geral da República não cumpriram, até hoje, um preceito constitucional que tem muita importância: o artigo 48.º da Constituição. É chamado “Participação na Vida Pública” e, no qual, depois de se dizer no n.º 1 “Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida pública”, o n.º 2 acrescenta: “Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objectivamente sobre os actos do Estado e de mais entidades públicas.” Ora, esta situação não foi cumprida pelas duas mais altas instâncias do sistema de justiça. Ainda vão a tempo de dar explicação cabal à opinião pública sobre o que fizeram e porque fizeram sem terem de violar o segredo de justiça. Podem perfeitamente explicar tudo o que não implique violar o segredo de justiça.

Verifica-se a anulação dos seus poderes e do que devem fazer ou há um braço-de-ferro entre eles?

Não creio que haja um braço-de-ferro entre ambos; até tem havido uma colaboração muito eficaz porque da Procuradoria mandam-se certidões para o Supremo, do Supremo mandam-se despachos para a Procuradoria, depois voltam a mandar para lá e para cá, mas demoram semanas nisto. Há aqui um claro vaivém institucional que se arrisca, se não for dado um esclarecimento cabal à opinião pública, a que amanhã as mais altas instâncias da justiça possam ser acusadas por alguém de estar a meter a verdade na gaveta.

Que a comunicação social evita?

A comunicação social tem feito o que pode e, se, às vezes, ajuda a violar o segredo de justiça, é porque alguém de dentro do segredo de justiça lhe fornece as indicações. O que é evidentemente grave! Acho que neste momento o problema já é muito mais amplo do que a questão da violação do segredo de justiça, é a falta de credibilidade e a falta de respeito pelas instituições do sistema. Porque não actuam depressa e com eficácia, não obtêm resultados e nem se explicam ou sabem explicar-se. Este método de fazer meias declarações, em plena rua ou à entrada e saída de uma porta, a tentar fugir à comunicação social, a dizer que não se vai dizer nada mas depois dizendo coisas, isto não é de tempos modernos. Quem ocupa estes cargos tem de ter capacidade e coragem de parar, enfrentar a comunicação social e responder olhos nos olhos: “Isto é assim por esta razão. Aqui nada refiro porque é segredo de justiça, mas posso dizer o seguinte sobre aquilo.” Isto era o mínimo que se podia esperar para o País ter confiança!

E não acontece devido à crise na justiça e desses dois órgãos institucionais ou por conivência com a realidade política em que se vive?

Não tenho elementos que permitam dizer que há conivência ou cumplicidade, mas há um ponto para o qual é importante chamar a atenção: a legislação sobre o segredo de justiça. Que diz, e bem, que a investigação de certos crimes enquanto a Polícia Judiciária e o Ministério Público não chegam a uma conclusão para acusar ou não acusar deve decorrer em segredo. Este é um princípio geral que está correcto e existe nos países civilizados. O que se verifica é que há elementos de dentro do sistema que volta e meia, por razões desconhecidas, quebram o segredo de justiça e põem cá fora elementos, umas vezes verdadeiros, outras distorcidos, que colocam em causa a honestidade de figuras importantes, seja do mundo da política, da economia ou do espectáculo. A reacção clássica, à qual continuamos agarrados, é dizer “houve um crime de violação de segredo de justiça, vamos à procura de quem o cometeu e punir”. Só que a reacção não pode ser só essa, porque já se viu que não produz grandes resultados. O importante é que a lei venha dizer o seguinte: se o segredo de justiça for violado em termos de prejudicar A, B ou C, como é que podem defender-se do que é dito ilegalmente sobre eles?

O que deverá acontecer então?

Devem ter, no mínimo, direito de acesso imediato ao processo que decorre contra eles e o direito de se defender. Mas não é dizendo que estão inocentes, é saber do que são acusados e defenderem-se! Os juristas pensam que feitas leis, por hipótese perfeitas, os problemas estão resolvidos, mas uma concepção realista do direito diz-nos que não. E aí é que começam os problemas: quem vai aplicar e interpretar? O grande problema é saber quais os direitos de defesa que se dão às pessoas afectadas ou cuja honorabilidade é posta em causa pela violação do segredo de justiça antes de chegar à fase de julgamento. Porque, quando se chega aí, todos os direitos de defesa estão assegurados e, às vezes, até com excesso de garantismo.

A questão reside na violação do segredo?

Antes dessa fase, se há uma violação do segredo de justiça, o que se passa é termos casos como os que estão a decorrer com políticos, empresários e homens da comunicação social – como na Casa Pia – que permitiram, até certa altura, fazer julgamentos sumários na praça pública. Como é que a lei estrutura um sistema de defesa jurídica ou judicial contra essa prematura revelação de suspeitas ou acusações que podem não ter fundamento e ser distorcidas em certos aspectos enquanto deixam outros na sombra?

Pode exemplificar um desses?

Quando foi do caso Freeport, vi nos jornais transcrições quase integrais de documentos que constavam do processo. Até havia uma nota da direcção do jornal a dizer “esta reprodução é integral, excepto uma frase, que não pode ser revelada”. Quem me garante que essa frase não seja um bom argumento em defesa da inocência de quem é acusado de crimes? Portanto, mais importante do que falar em reforçar penas ou medidas contra a violação do segredo de justiça, é proteger as vítimas dela.

Considera que o primeiro-ministro é também uma vítima?

É óbvio que tem sido, designadamente no caso Freeport, que estranhamente ainda não acabou e nem se sabe porquê. A polícia inglesa já fechou o caso e nós, que estávamos à espera de elementos deles, já não os teremos. Porque é que o nosso caso não acaba? Ninguém entende. Também aqui o procurador-geral deveria explicar porque é que não acabou já em Portugal? O mesmo se passa agora com o caso “Face Oculta”, em que, claramente, foi através de violações de segredo de justiça que se soube que as escutas feitas legitimamente ao cidadão Armando Vara – por suspeita de envolvimento em condutas criminosas – tinham apanhado na conversa o primeiro-ministro. Levantaram aí uma série de problemas jurídicos que me fazem pensar que o problema hoje não está – na Assembleia da República tem-se ouvido muito isso – em agravar as penas para quem viola o segredo de justiça. Já se sabe que nunca se descobre quem viola!

Disse, em Janeiro, que existia uma campanha de raiva contra José Sócrates. Acredita na tese de tentativa de homicídio de carácter?

Achei que em Janeiro e Fevereiro, a propósito do caso Freeport, isso aconteceu. Hoje acho que já não é bem a mesma coisa.

Refere-se ao caso “Face Oculta”?

Sim, o que está a acontecer é que se descobriu uma rede – não sei se é tentacular – de pessoas ligadas ao PS que alegadamente estão envolvidas em sistemas de corrupção. Importa não esquecer que com o caso BPN e BPP também se descobriu um conjunto de personalidades ligadas ao PSD dadas como suspeitas de casos de corrupção e que agora até já estão constituídas arguidas formalmente. Quando se trata de redes de influências e de tráficos de influências, que abrangem simultaneamente, nos últimos dois anos, altas figuras dos dois maiores partidos, penso que já é difícil dizer que haja uma campanha de ódio contra uma única pessoa, designadamente para com o líder de um partido ou o primeiro-ministro. No caso Freeport foi diferente, ninguém falava em redes, mas três ou quatro pessoas a canalizar tudo contra a figura do primeiro-ministro. Além de que o ar de cavalgada triunfal de muita comunicação social, convencida de que tinha chegado a hora de assassinar o primeiro-ministro, como os senadores romanos assassinaram Júlio César em pleno Senado, não revela muita isenção (ler caixa em cima). Faço a seguinte reflexão: os principais dados que colocaram sob suspeita o primeiro-ministro em Janeiro, no caso Freeport, foram transmitidos à comunicação social e por esta, de um modo geral, tratados como se fossem provas cabais e completas de incriminação da pessoa. Passou quase um ano e o Ministério Público (MP) não encontrou mais nada, nem sequer sentiu necessidade de ouvir o primeiro-ministro, de o constituir arguido ou de o acusar. Se tenho de confiar que o MP actua com base na legalidade e no princípio da boa-fé, se não o fez até fim de Novembro é porque não apareceu algo consistente. Se de Janeiro a Novembro nada consistente aparece, como é que em Janeiro se lança todo aquele conjunto de suspeitas?

A que, no Verão, o próprio presidente da República acrescenta mais suspeitas com as escutas.

Sim, mas aí já numa outra matéria. Acho que esse tema foi lateral e que teve a ver com um certo conflito institucional que, infelizmente, tende a existir sempre entre o Governo e a Presidência. Existiu com Eanes e no segundo mandato de Soares, existiu sob formas mais aveludadas com Sampaio e está a existir agora, não desde o início, entre José Sócrates e Cavaco Silva. Considero que o Presidente, que eu apoio e acho que tem sido um bom governante, não foi feliz na maneira como reagiu – quer antes quer depois – a esse problema. Mas, aí, não estamos num problema que estivesse ou tenha sido entregue à justiça. É um episódio do conflito institucional entre chefias de Estado e Governo, que faz parte das tradições, mesmo em monarquia! Diria que tal episódio, sendo infeliz, não tem a ver com o problema da crise da justiça.

Mas atirou mais lama sobre a acção do primeiro-ministro?

Possivelmente. Creio que as pessoas tenderam, pelo que vi nos noticiários da televisão, comentadores e analistas, a considerar a questão como política. Os que são da área PSD e CDS defenderam o Presidente, os do PS tentaram defender o primeiro-ministro.

Considera que houve leviandade de Belém nessas acusações?

Repito que foi um episódio infeliz e o resultado, um match nulo. Não me preocupa muito, porque é normal haver esse tipo de conflito institucional.

Foi um match nulo, mas que atingiu a credibilidade do Presidente para a futura recandidatura?

Não sou bruxo nem adivinho e ainda falta quase um ano e meio para as eleições presidenciais. Muita coisa pode acontecer, mas é um facto, provado pelas sondagens, que o Presidente sofreu uma quebra na popularidade maior do que é normal com o episódio. O que significa que a maioria da opinião pública achou que não andou bem. Se vai ter repercussões na eleição, é muito cedo para avaliar, mas é claro que, se o Presidente tiver o azar de fazer mais três ou quatro coisas assim, naturalmente afectará as oportunidades de uma recandidatura. Quem sabe se não fará, a partir daqui, coisas excelentes que o reabilitem perante a opinião pública?

Por essa razão, está a fazer uma gestão de silêncio rigorosa?

Num sistema como o nosso, quem governa é o Governo e não o Presidente. Este tem de fazer uma gestão prudente das declarações e dos silêncios. O que me parece, no entanto, é que era altura de o Presidente da República, numa mensagem à Assembleia da República ou por qualquer outra forma, chamar a atenção para os grandes problemas da actualidade e pedir a colaboração de todos – Parlamento, Governo, tribunais, MP, partidos, comunicação social, universidades – para os enfrentarmos com êxito. A saber: crise da justiça, combate à corrupção e o desemprego. Não culpo o Presidente por não querer interferir no caso Freeport ou no “Face Oculta”, aí cumpre o dever de reserva ao não fazer de comentador jornalístico dos vários episódios, que, aliás, estão constantemente a mudar. O que posso desejar é que o Presidente da República, vendo que vários aspectos da vida colectiva portuguesa estão deteriorar-se muito e a entrar numa espécie de beco sem saída, deve dizer ao País e sem medo: “Estamos a enfrentar problemas muito difíceis e as minhas ideias – não tendo eu a responsabilidade de governar mas de alertar – são as seguintes…”

Designadamente, um apelo muito duro sobre a crise da justiça?

Não tenho dúvidas de que sim, mas sem se deixar entalar pelos seus conselheiros juristas, numa língua exclusivamente jurídica e na receita habitual de “vamos rever os códigos e abrir mais 25 tribunais”. Não é assim!

Depreendo que acha que Cavaco Silva está mal aconselhado.

Considero que o Presidente da República, sempre que tem falado com base em textos jurídicos que manifestamente não podem ser só da sua mão, não tem sido bem aconselhado. Aliás, gostaria de dizer em relação ao problema da justiça e da corrupção – sobretudo o da corrupção, que está a avolumar e a minar os fundamentos do Estado democrático português – como é que encaro a sua solução, sem querer entrar nos pormenores do dia-a-dia. Em primeiro lugar, acho que deviam ser aprovadas, e quanto antes, as medidas já propostas por vários sectores, designadamente o pacote João Cravinho; a criminalização do enriquecimento ilícito – que me parece fundamental e não é de todo inconstitucional – e o necessário reforço do Ministério Público e da Polícia Judiciária, bem como dos tribunais em meios humanos e materiais. Essas propostas que têm sido feitas são mais ou menos as únicas. Gostava de ver o problema numa perspectiva mais ampla, alargando o campo em que deve situar-se o combate à corrupção, numa perspectiva de médio prazo, porque a corrupção não acaba de um dia para o outro nem se extingue por decreto. Precisa de um combate permanente, como todos os que se fazem ao crime. Por isso, proponho um conjunto de 15 medidas (ler texto na página ao lado) contra a corrupção que existe em Portugal.

Destaca alguma entre as 15?

A de o Presidente da República falar ao País e a de o reforço dos poderes e dos meios do conselho de prevenção da corrupção, criado recentemente, que funciona junto do Tribunal de Contas – presidido por Guilherme d’Oliveira Martins – e que tem feito um trabalho muito importante. Depois, é necessário o reforço dos serviços inspectivos da administração pública e é fundamental aprovar-se uma lei regulamentadora das actividades do lóbi como existe nos EUA para não andarmos todos a fingir que não existe e que tudo se passa em almoços e conversas de amigos e em jogos de golfe ao fim-de-semana, que é uma maneira de manter a actividade do lóbi opaca.

Essas medidas eliminavam a corrupção e o tráfico de influências?

Ajudavam a evitar, porque permitiriam punir severamente quem, não estando inscrito, fizesse lóbi. O registo dos lobistas e suas actividades mostraria quem, em certo período, esteve 20 vezes com o ministro, o secretário de Estado, o director-geral ou o autarca e, se se verificasse uma adjudicação de um concurso que, saltando por cima das regras do direito, beneficiasse uma empresa, podia-se tirar conclusões e iniciar a investi- gação criminal.

Quando vemos a inspecção do Banco de Portugal falhar nos casos BPP e BPN, pode questionar–se o seu funcionamento no País?

Não funcionou bem, embora deva reconhecer que essa situação teve a ver com a mentalidade ultraliberal que se instalou, primeiro nos EUA, com Reagan, e na Grã-Bretanha, com Thatcher, e depois em reguladores como a Reserva Federal norte-americana, o Banco Central de Inglaterra e a nível nacional, de que aquela explosão de criatividade dos novos instrumentos financeiros não regulados era boa para a economia.

A regulação deverá ser maior?

Até o próprio combate às offshores é essencial, porque está muito longe de se ter conseguido identificá-las. Vi uma lista da OCDE com mais de 20, mas são apenas as que todos conhecem. A velha City de Londres não está na lista, nem estados e cidades dos EUA que têm esses regimes jurídicos. Na Suíça, já se deram uns passos e foi um grande avanço. É uma batalha que demorará muito tempo e contra ela erguem-se poderosos interesses.

Também refere nas suas medidas o papel de organizações não governamentais (ONG). Porquê?

Há muitas ONG que se dedicam ao combate à corrupção. Aquela que mais me tem impressionado é a Transparency International, que, sem fins lucrativos, se dedica a estudar o fenómeno da corrupção, encontrar medidas de espectro largo para o combater e colaborar com os governos que assim o desejarem na tomada de medidas para a combater. Creio que Portugal está na situação típica em que devia pedir a esta organização – ou semelhante – que fizesse um acordo de cooperação para vir aconselhar o Governo e o Parlamento sobre o combate eficaz à corrupção, sem exigir mudança de leis penais. Curiosamente, a principal condição que a organização põe para colaborar é que o respectivo Governo dê provas de estar efectivamente empenhado em combater a corrupção.

O que seria problema em Portugal, quando vemos tantos políticos envolvidos em casos!

Se a minha sugestão tiver eco na Assembleia da República e se esta começar a insistir nos temas, seja o Governo do PS ou do PSD, é possível criar-se uma onda na opinião pública que tornará indispensável fazer o que a Transparência Internacional sugere: que o combate à corrupção comece nas escolas. Deveria criar-se uma cadeira de educação cívica obrigatória para os alunos do ensino básico e secundário, que devia incluir um capitulo sobre o que é a corrupção, os terríveis inconvenientes que tem e como se combate na dupla perspectiva de prevenção e repressão. Como acontece em universidades anglo- -saxónicas, com disciplinas de ética aplicada às profissões. Se o Estado não for capaz de combater a corrupção, a corrupção acabará por dissolver o Estado. Ou seja, não estamos a falar de coisa pequenas ou episódios, mas de problemas profundos e sistémicos que podem pôr em causa o regime, a democracia, o Estado de direito e o respeito pela justiça.

Mas como é que a sociedade civil vai exigir essa ética se as suas classes políticas e judiciais não se comportam a tal nível?

A partir do momento em que a pressão social for maior contra a corrupção ou contra a falta de ética do que está a ser a pressão no sentido de as pessoas enriquecerem de qualquer maneira, nesse momento, mesmo os que porventura se sintam tentados a prevaricar pensarão duas vezes! Com todas estas medidas, e outras que faltam aqui, talvez consigamos daqui a um par de anos apanhar 100% dos casos de corrupção. Mas isto se apanharmos 10% ou 20% e se esses casos forem tratados rapidamente e se as pessoas forem para a cadeia, como sucede em Inglaterra ou na América, ou como aconteceu com o empresário Madoff, que em poucos meses foi julgado e condenado.

Surpreendeu-o a decisão do tribunal ao suspender do cargo José Penedos e Armando Vara se ter auto-suspendido?

Não me surpreendeu, é perfeitamente razoável atendendo às suspeitas que existem e que ainda não sabemos se são verdadeiras. Gozam de presunção de inocência até ao final do julgamento, mas, a partir do momento em que há suspeitas da prática de actos graves, acho que as pessoas se devem auto-suspender ou, se não tiverem coragem para o fazer, devem ser suspensas pelo tribunal.

Portugal confronta-se com um grande problema no desemprego. Como se pode combater?

Isso é um problema até para a grande maioria dos economistas. Segundo a teoria clássica, o desemprego só diminui se houver criação de novos empregos, novos investimentos e a criação de novas empresas ou alargamento das que existem. Haverá que esperar, segundo a teoria clássica, que o ciclo económico passe de uma fase de depressão para uma de expansão, que trará mais confiança, investimento e criação de emprego.

Portugal está a preparar-se?

Nesse aspecto, temos feito os possíveis com a ideia do Governo em dar uma formação adequada aos que estão no desemprego para quando se verificar a retoma. Acho que Portugal faria bem em mandar estudar a sério as experiências que têm sido feitas em França e noutros países europeus com os chamados contratos de incentivo ao emprego.

As empresas estão a colaborar com o Governo para a solução?

Não, até agora estão no braço-de-ferro habitual – “Nós não podemos fazer mais nenhum esforço, porque senão vamos à falência” – enquanto o Governo pede que façam mais. Aí está um aspecto em que acho que a mensagem do Presidente da República ao País também poderia ajudar.

Se Manuela Ferreira Leite tivesse ganho as eleições, as grandes obras públicas não avançariam. Concorda com o TGV?

Se não tivéssemos em Portugal um grave problema de endividamento do Estado, acho que a política de grandes obras públicas, como o TGV, o novo aeroporto de Lisboa e muitas outras – barragens, estradas, hospitais, escolas – era a política acertada. Mas, em épocas de recessão, o Estado deve investir mais mas em investimentos que sejam geradores de emprego e de trabalho intensivo.

Mas o TGV e o novo aeroporto são obras necessárias?

Os estudos que vi demonstram que são necessários. Mais o aeroporto que o TGV, porque este é uma questão de ligação à Europa – além de que houve acordos internacionais que se celebraram nessa matéria. Precisamos de uma comissão independente que, num mês, diga se esse agravamento do endividamento do Estado é comportável ou não.

Este Governo pode sentir-se tentado mesmo sem capacidade?

O que pressinto é que o Governo quer avançar sem mais estudos e a oposição quer parar sem mais estudos.

O que leva à questão muito preocupante do défice português.

Este défice, como o dos demais países europeus por causa da crise, vai levar uns anos a corrigir. De novo temos a visão da esquerda e da direita. Creio que são formas sectárias de ver o problema e, não tenhamos ilusões, é um quebra-cabeças que vai levar anos a resolver e que não deve ser com demagogia. Se, nesta matéria, as oposições quiserem impor ao Governo medidas demagógicas, teremos uma crise política. Seja este ou outro que embarque nesse tipo de medidas para resolver o desemprego, acabamos como a Albânia antes da queda do Muro de Berlim.

Não aumentar impostos é certo?

Aumentar ou não os impostos nunca é certo nem errado, depende do que é que é preciso! Já propus uma vez que os partidos fizessem um acordo de cavalheiros dizendo: não vamos discutir impostos. Quando é possível, baixam-se; quando não, mantêm-se; quando for necessário, sobem. Não vale a pena andarmo-nos a enganar.

Depois do segundo Orçamento Rectificativo, o Governo foi acusado de burla eleitoral. Para evitar novas acusações, Sócrates deve cumprir a promessa de não aumentar os impostos?

Desde que a tenha feito, deve cumpri-la. Mas, se estivesse no seu lugar, não teria feito a promessa, porque acho que não se as deve fazer sem ter a certeza de as poder cumprir.

Portugal está a fugir ao ritmo da União Europeia?

Já estivemos a convergir com a Europa ao longo de 20 anos de adesão, mas, quando nos estávamos a preparar para iniciar a segunda parte desse caminho, a mais difícil, tivemos diversas crises – internas e internacionais – e começámos a andar um pouco para trás. O problema é que o nosso paradigma de crescimento económico está esgotado.

Foi ministro dos Negócios Estrangeiros do anterior Governo. Acha que esta política está a ser bem conduzida hoje em dia?

Penso que sim. A única diferença em relação a mim, mas que não me preocupa nem é fundamental, é uma diferença de estilo. Talvez por eu ter vivido muito na Inglaterra e na América, achei que seria interessante transformar a política externa num objecto de debate público. Por isso, tomei certas posições, porventura um pouco mais enfáticas, para suscitar a controvérsia e para que o debate público não passasse apenas pelas questões internas, mas também pelas de política internacional. Parece que o consenso da opinião pública e da comunicação social não foi muito favorável a esse estilo e que preferem um estilo como o de Luís Amado, que é também o estilo que teve Jaime Gama quando foi ministro. Que é ir tratando dos problemas no segredo das negociações diplomáticas e não trazer para a controvérsia política normal os temas de política externa. No entanto, a orientação da política externa parece-me correctíssima e conseguimos coisas importantes, designadamente o Tratado de Lisboa.

Fonte: Jornal Diário de Notícias on-line
Por: JOÃO CÉU E SILVA (Texto) ARLINDO CAMACHO (Foto)
28/11/2009

Ministro de Estado e das Finanças mostrou-se “surpreendido” com as votações de vários diplomas da oposição hoje, sexta-feira, no Parlamento.

Teixeira dos Santos reagiu assim não só à aprovação na generalidade do adiamento da entrada em vigor do Código Contributivo, mas também à aprovação de um diploma que impõe juros de mora às dívidas do Estado às empresas e à extinção do Pagamento Especial por Conta (PEC).

“Assim não há condições para levar em frente com sucesso o reequilíbrio financeiro”, disse o ministro numa curta intervenção à entrada para a reunião da comissão parlamentar do Orçamento e Finanças, convocada para debater a reprivatização do BPN.

“As implicações [da aprovação dos diplomas] são muito lesivas para as Finanças Públicas”, salientou o ministro, enfatizando que “as decisões [votadas ao final da manhã no Parlamento] comprometem o esforço de correcção orçamental”.

Para o ministro das Finanças, “cria-se um quadro muito preocupante para o reequilíbrio das contas públicas”, tanto mais que “o desafio de corrigir o desequilíbrio [orçamental] à medida que a crise se vai dissipando tem a ver com a perda da receita fiscal”, que é agravada com as propostas hoje aprovadas na generalidade pela oposição.

A oposição parlamentar impôs a aprovação, na generalidade, de 11 dos 13 diplomas com medidas “anti-crise” do PSD, CDS-PP e PCP, vencendo a maioria relativa do PS, que votou contra.

Fonte: Jornal de Notícias on-line
27/11/2009 | 15h54m

[N.W.] – Faço minhas as palavras de um comentador: «Sr. Ministro tenha juízo, tem muito por onde diminuir o défice, comece pelos Bancos, depois os churudos ordenados que auferem os Amigos, o rendimento mínimo e muito mais coisas, só porque chumbaram e bem esta lei, não há condições? Desculpas! DEMITAM-SE.»

A Víbora

Direito ao Assunto

No último sábado, José António Saraiva contou ao Correio da Manhã uma história macabra: por causa de uma notícia desagradável para o Governo, um banco privado quase lhe fechou o jornal. Passou uma semana, e foi só isso que passou: uma semana. Já estaremos habituados a que a vida é assim em Portugal?

Mas não convém reduzir a questão só a este Governo. O Estado que temos em Portugal – centralizado, autoritário, pesado, omnipresente – é próprio de uma ditadura, não de uma democracia. Tal como ninguém sabe ao certo quantos funcionários públicos existem, também ninguém sabe ao certo onde começa e acaba o Estado: há empresas aparentemente privadas que, segundo percebemos agora, são tentáculos do Estado. O Estado rodeia-nos, controla-nos, espreita-nos, mete-se em tudo, isola-nos uns dos outros – e, através dele, os Governos recompensam quem os serve e punem quem os incomoda. Com este Estado, talvez o Dr. Salazar não tivesse precisado de PIDE e de censura.

Há trinta anos que andamos a fingir que pode haver direito e pluralismo onde quem fala corre o risco de ser castigado e onde para fazer negócios é preciso pôr dinheiro em envelopes. A democracia portuguesa vive com uma víbora sobre o peito. Só não nos morde se estivermos muito quietinhos e formos bem comportados. É assim que queremos viver, quietinhos e bem comportados?

Fonte: Jornal Correio da Manhã on-line
Por: Rui Ramos, Historiador
27 Novembro 2009 – 00h30

A marca de roupa desportiva Reebok pôs dois seios a falar na sua mais recente campanha. O anúncio é sexy e já faz as delícias dos utilizadores de chats em todo o mundo. Clique para visitar o canal Life & Style.

O novo anúncio da Reebok é no mínimo audacioso. Desta vez, os protagonistas são dois seios de uma mulher que comentam entre si que deixaram de ser o centro das atenções desde que a sua “dona” começou a utilizar um modelo de sapatos de ténis que tem um efeito reafirmante das pernas e nádegas femininas.

“Enche as tuas mamas de inveja” é um dos “slogans” da campanha da Reebok, que promete um “rabo e umas pernas melhores a cada passo”, dado com os ténis Easytone nos pés.

Fonte: Jornal Expresso on-line
Por: Cândida Santos Silva (www.expresso.pt)
16:40 Quinta-feira, 26 de Nov de 2009

Media

O Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social anunciou hoje em comunicado que abriu “um processo de averiguações tendo como objectivo apurar elementos relativos à situação denunciada publicamente pelo director do jornal Sol” sobre interferências do Governo nos média.

Foi numa investigação da revista Sábado, que José António Saraiva, director do Sol, admitiu que teria sido interpelado por uma pessoa do círculo de amigos de José Sócrates, numa altura complicada em termos financeiros para a vida do jornal.

O responsável disse não ter sido interpelado por Armando Vara mas por outra pessoa, que terá oferecido a ajuda do BCP para resolver os problemas do jornal, se uma notícia sobre o processo Freeport não saísse.

José António Saraiva prolongou o assunto em entrevista ao Correio da Manhã publicada no passado domingo, onde explica que recebeu dois telefonemas “por parte de pessoas próximas do primeiro-ministro, dizendo que se não publicássemos notícias sobre o Freeport, os nossos problemas se resolviam”. JAC disse ainda que na altura, o jornal só “por milagre” é que não faliu.

Fonte: Jornal Destak on-line
26 | 11 | 2009 18.26H
Destak | destak@destak.pt

Enquanto dormia

Da vida real

Aparentemente o sistema político parlamentar adormeceu e só se lhe escuta o ressonar profundo.

Se há algo de salutar para a Democracia e para o crescimento dos povos, é a saudável divergência dos projectos, de ideias, e a transparência e eficácia das Instituições.

Pode suceder – e sucede com muita frequência – que num País democrático inexistam divergências estruturais, ou inexistam até projectos ou as Instituições sejam opacas, ineficazes e pouco transparentes. Tudo junto é que é fatal. Não fica nada ou quase nada a opor resistência aos vírus democráticos. As democracias hoje em dia vivem crivadas de vírus. Nós assim estamos, crivados de viris, pese as excepções que temos.

Aparentemente o sistema político parlamentar adormeceu e só se lhe escuta o ressonar profundo. O ponto é que enquanto dorme tudo se degrada à volta: o deficit, o desemprego, as receitas em forte quebra; o risco de deixar de haver financiamento externo a médio prazo (quem emprestará a um País cuja dívida pode vir a atingir o dobro do PIB?); o aumento de impostos com a entrada em vigor do novo Código Contributivo; a projectada redução de pensões dos trabalhadores que se reformem no futuro; a demissão face às dúvidas que não poupam o Governo; a indiferença pelas térmitas que corroem o interior do que é público…

Já com o Governo passa-se o contrário: esvai-se, excedendo-se num diálogo tão permanente quanto destituído de rumo e efeitos, envolto em caso atrás de caso, casos que o fragilizam e destituem de credibilidade. Cercado de dúvidas, absorvido por elas e à defesa, o Governo esvai-se em insónia. E é assim.

O ponto é que persistimos em ignorar o que nos espera e estamos nesta quietude incompreensível.

Com um Governo em insónia permanente e um parlamento em sono profundo, autodestituído da competência fiscalizadora que a Constituição lhe comete, só resta percebermos que temos de ser nós próprios, desde o apoio no ensino aos nossos filhos, às nossas vidas profissionais, empresariais e cívicas (para os que têm a sorte de as ter), a fazer este País. Temos de ser nós a reconstruir a Cidadania que permita criar uma bolsa de resistência e exigir uma densidade social diferente, uma responsabilidade ética com a consciência clarinha de que também teremos de ter a coragem de empobrecer primeiro, para poder relançar este País tão desnorteado e condicionado.

Temos de começar a operar a metamorfose que nos permita pôr a caminho da construção de uma identidade económica e social. E se tudo isso acarreta muitos custos, também abre o Futuro.

Fonte: Jornal Correio da Manhã on-line
Por: Paula Teixeira da Cruz, Advogada
26 Novembro 2009 – 09h00

José E. Moniz

Uma mulher, à volta dos setenta anos, espreita os jornais e comenta para outra, mais nova, seguramente sua filha:

– “E lá conseguiram arquivar mais um processo contra o homem…”

Responde a mais nova:

– ‘Quero lá saber…’

– ‘Como assim filha? O homem é primeiro-ministro. Só anda metido em confusões e toda a gente lhe põe a mão por baixo. Estas investigações das escutas tinham de ir dar a qualquer lado. Arquivem, mas investiguem primeiro. Ao menos isso.’

– ‘Sabe uma coisa mãe? Não quero mesmo saber nada disso. Está sempre tudo feito. Vocês é que têm culpa, que o elegeram. Eu não…’

Diálogo de fim da manhã, num sábado coberto de chuva, ouvido, indiscretamente, na caixa de um posto de abastecimento de combustível. Duas mulheres, de gerações diferentes, abordando, de forma apressada, o caso mais relevante da actualidade. A mulher mais velha lá acabou por se afastar, com ar conformado, mas não convencido, enquanto a mais nova repetia que não se sentia responsável por nada, dando a entender que não havia votado nas últimas eleições legislativas.

Perdoem-me a reprodução desta escuta não autorizada, mas penso que ela não está abrangida pelo segredo de justiça, nem carece do aval do presidente do Supremo e, muito menos, de despacho do procurador–geral. Citei-a apenas porque ela me parece representar o essencial daquilo que é o sentimento do cidadão comum perante os casos de justiça envolvendo personalidades com alguma relevância na vida pública portuguesa. Escândalos que, pela sua natureza, ganham enorme eco em toda a Comunicação Social, mas que vêem a sua repercussão ampliada, por causa da teia de malabarismos político-jurídicos que ardilosa e empenhadamente os tentam lançar para as catacumbas do esquecimento.

Foi o dr. Mário Soares que, um dia, falou no ‘direito à indignação’. A recuperação desse direito, nesta altura, afigura-se-me apropriada, dado que em causa estão questões que se revestem de enorme gravidade e importância. Assisto com perplexidade ao desfile de atitudes e argumentos que estão a enrodilhar a Justiça em Portugal, desacreditando-a aos olhos de todos e desprestigiando os seus agentes, que deveriam ser referenciais de respeitabilidade e de confiança, baluartes essenciais de uma democracia sã e estabilizada, apta a resistir a atropelos e indiferente a privilégios. Presenciando o filme ‘Face Oculta’, que, há algumas semanas, se encontra em exibição em todas as casas portuguesas, fico surpreendido (apesar da experiência emprestada pela idade) com a forma como actos processuais são encarados, como se ajustam procedimentos e decisões a timings eleitorais, como a Justiça e a Política se embrulham de modo pouco transparente. É à custa de situações como esta que o País cada vez menos acredita na sua Justiça, interiorizando que há tratamentos diferentes consoante se faz parte do lote de ‘poderosos’ ou não. Uma Justiça em dois patamares ou a dois tempos, conforme os intervenientes.

Não sou jurista e, por isso, não me vou enredar na teia de argumentações que, mais do que esclarecer, confundem o cidadão, bombardeado, nos últimos dias, com opiniões, as mais desencontradas, sobre a sustentabilidade, ou falta dela, de actos das mais altas instâncias da Justiça portuguesa. Muito menos me vou pronunciar, nesta altura, sobre a ousadia espelhada em declarações de políticos que querem, novamente, mudar a lei do segredo de justiça, depois de nela terem mexido há apenas dois anos, como se o País fosse uma coutada em que as leis se fazem e desfazem ao sabor de casos individuais e conveniências correspondentes. A falta de vergonha, neste caso, revela-se tão flagrante que só se o País estivesse completamente inerte uma tal coisa poderia acontecer. Apesar de o País se parecer, cada vez mais, com um enorme lamaçal, creio que a indiferença dos cidadãos tem limites.

A verdade é que Portugal enfrenta uma crise gravíssima, das mais graves da sua História, com a economia de rastos, o desemprego a níveis altíssimos (seguramente no próximo ano bem acima dos dez por cento) e o défice a atingir proporções astronómicas. Caminhamos alegremente para a bancarrota, com o governador do Banco de Portugal a dizer que um aumento de impostos se tornou inevitável e o ministro das Finanças a negar terminantemente tal possibilidade, como se amanhã fossemos novamente ter eleições e, portanto, a campanha eleitoral estivesse em pleno andamento. Claramente o que se passa é que o Governo está sem soluções e navega à vista. O primeiro-ministro, sempre tão seguro das suas convicções e determinado na acção, não tem remédios para aplicar. Está sem soluções e, mais grave, está com a sua credibilidade profundamente abalada. Este caso das escutas do dito ‘Face Oculta’, a juntar a situações que tantas dúvidas têm deixado por esclarecer, como o Freeport, a Cova da Beira, os projectos das casas da Covilhã e o diploma da licenciatura, por exemplo, enfraquecem-no a todos os níveis, diminuindo a sua autoridade e reduzindo a sua margem de manobra aos olhos de todos. São assuntos a mais para a nebulosidade que se abateu sobre ele.

Para o vulgar cidadão a sensação que fica é a de que alguma coisa se quer ocultar. Não há nada pior para um primeiro-ministro, que precisa de ter a confiança do País, do que viver envolto numa nuvem de interrogações sobre a sua idoneidade e o seu próprio carácter. Independentemente do que o presidente do Supremo Tribunal possa decidir ou o procurador-geral da República despachar, o País precisa de perceber, de uma vez por todas, o que há de tão extraordinário nas gravações que reproduzem as escutas a Armando Vara que levou dois magistrados de Aveiro, independentes entre si, a considerarem a hipótese da existência de matéria criminal em afirmações do chefe do governo.

Não sou adepto da devassa da vida das pessoas, como se vivêssemos num mundo bigbrotheriano, mas já se tornou claro que nos encontramos perante um caso sério em que a honestidade do primeiro-ministro constitui tema de falatório generalizado. O rastilho foi ateado e a maneira como os mais destacados agentes da Justiça actuaram lançou-lhe gasolina para cima. Incompetência, falta de jeito ou o que lhe quiserem chamar, isso agora interessa pouco. O que é facto é que o primeiro-ministro, com as suspeitas levantadas em relação a si, deveria ser o mais interessado em ver tudo esclarecido. Frontal e abertamente, em abono do seu nome e do seu carácter, sem se refugiar no formalismo de dispositivos jurídicos.

Num outro país qualquer, em que a democracia não viva atolada em compadrios e em que todos os cidadãos sejam, afinal, iguais perante a lei, muito provavelmente, estaria em curso um processo de averiguações conducente ao apuramento da verdade. Quem não se recorda do que aconteceu a Richard Nixon, por sinal, também a partir de umas escutas que se revelaram fatais para ele? Quem não se recorda do que aconteceu com Bill Clinton, apesar da hipocrisia que esteve por detrás do inquérito que se viu obrigado a enfrentar? Quem não se recorda do caso de um governador de Estado, nos EUA, afastado recentemente do cargo?

Por muito que possa ser criticada, a democracia americana está longe de ser frágil. Só se fortalece com as dinâmicas que gera e com a transparência na fiscalização dos actos e comportamentos dos agentes políticos que o povo elege. Não vejo, por isso, o que se perderia se, em Portugal, se adoptassem corajosamente práticas semelhantes. Todos ficaríamos a ganhar. A democracia conquistaria, certamente, outra solidez e maturidade. A relação entre eleitores e eleitos seria mais genuína e confiante.

Talvez até se conseguisse que os cidadãos não se demitissem da democracia. Como a filha daquela senhora que mencionei no início deste texto, que nem se deu ao trabalho de ir votar…

Fonte: Jornal Correio da Manhã on-line
Por: José Eduardo Moniz, Ex-Director-Geral da TVI
26 Novembro 2009 – 22h00

Chegou, via e-mail, uma informação com o link para o vídeo abaixo. Porque não pretendo influenciar seja quem for sobre a gripe dos porcos (gripe suína, gripe A, gripe H1N1 ou lá como lhe queiram chamar), aqui fica à consideração de todos, as declarações (que não são novidades) da Dra. Rauni Kilde:

ou através do link: Web Site Cidadania

Primeiro-ministro afasta hipótese lançada por Constâncio

Sócrates afirma que prioridades do Governo são emprego e crescimento económico

José Sócrates afastou esta terça-feira qualquer hipótese de aumento dos impostos, frisando que o Orçamento para 2010 irá apostar na recuperação do emprego e crescimento económico.

‘A principal preocupação da política económica do Governo é a recuperação económica e o emprego. Nesse sentido, não é compaginável com esses dois objectivos um aumento de impostos’, declarou o primeiro-ministro à margem da inauguração de uma central fotovoltaica em Loures.

O Executivo recusa assim a sugestão de Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, que admitiu esta semana que Portugal teria de aumentar a carga fiscal de forma a combater o défice, que deverá rondar os 8% no final do ano. Mas Sócrates foi peremptório: ‘Se o Governo tivesse margem, a sua política até seria no sentido de diminuir os impostos para estimular a crescimento económico e para o emprego.’

O primeiro-ministro inaugurou hoje a central fotovoltaica em Loures, dentro do Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL). Um investimento de 31 milhões de euros numa central capaz de fornecer energia a 1300 famílias.

Sócrates reiterou a aposta do Governo nas energias renováveis, que considera ser essencial reduzir o endividamento do país. Se queremos reforçar a nossa autonomia, a única alternativa é a aposta nas energias que têm como base os recursos do país, as energias renováveis’, uma vez que com esta produção própria, Portugal ‘pode reduzir o endividamento externo. Como sabem, metade do endividamento diz respeito às importações de energia e petróleo’, afirmou.

Fonte: Jornal Correio da Manhã on-line
Por: Pedro H. Gonçalves
24 Novembro 2009 – 13h18

[N.W.] – Em 2005, aquando da Campanha para as Legislativas desse ano, disse e afirmou a pés juntos o mesmo! Depois, foi o que se viu, um aumentar de impostos à fartazana! Só que, nessa altura, tinha o rei na barriga dada pela maioria absoluta. Hoje, e com uma minoria no Parlamento, apesar das “cedências” ou “acordos” a troco de qualquer migalhita política de interesses partidários, poderá ter o beija-mão do PPD ou do CDS para aprovar o que quer que seja. Mas não se livra de lhe chamarem aldrabão porque baseou a sua campanha em 2005 no mote da não mexida (aumentos) dos impostos e assim que sentou o traseiro no poder, ala que já se faz tarde! Quem não pertence à carneirada deste partido pseudo-”socialista” ou come queijo em demasia, com certeza que ainda se lembra dessas afirmações e se se quiserem recordar, para não dizerem que é mais uma campanha negra, vejam AQUI o vídeo (em 03.Abr.2007) da VERDADE.
Ontem, um iluminado disse que os impostos iriam aumentar. Hoje, outro iluminado disse que não.

António Ferreira Girão, vice-presidente do CSM, esclareceu questão das escutas - Imagem: Duarte Roriz

‘Face Oculta’

 

O Conselho Superior de Magistratura (CSM) revelou esta terça-feira ser falso que o juiz de instrução criminal de Aveiro, responsável pela investigação do caso ‘Face Oculta’, se tenha “recusado a cumprir a decisão” do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) em destruir as escutas que envolvem o primeiro-ministro, José Sócrates, e Armando Vara, arguido no processo.

Recorde-se que, no passado fim-de-semana, o ‘Diário de Notícias’ anunciava que António Costa Gomes, juiz de Aveiro, se tinha recusado a destruir as conversas telefónicas, mesmo depois de estas serem consideradas nulas.

No esclarecimento de hoje, António Ferreira Girão, pelo vice-presidente do CSM, negou o que tinha sido noticiado, remetendo as restantes questões para a Procuradoria-Geral da República e para o STJ.

Fonte: Jornal Correio da Manhã on-line
24 Novembro 2009 – 16h03

[N.W.] – Eles cozinham tudo no caldeirão ao modo que melhor lhes sabe! Uma pitada de sal aqui, uma de pimenta acolá, uns orégãos acoli… Não percam os próximos capítulos… nos jornais porque já estou a ficar demasiadamente enojado para o meu gosto…

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